Nem sempre segredo é a melhor...

Nem sempre segredo é a melhor opção

Aos 30 anos eu estava entrando num supermercado e peguei um pedacinho de conversa entre 2 mulheres sobre uma doença enquanto   entregava garrafas no depósito – naquela época, 1980, havia troca de vasilhames.

Aquela frase disparou em mim, como um gatilho, uma sensação super fragilizadora; em seguida lembro que fui pegar as 3 crianças na escola já tremendo muito.

Voltando para casa assustada com as reações físicas, com medo, sem entender o que havia acontecido…calei e escondi.

Dias depois era outro episódio…Calei, escondi.

Mais uma vez, outras vezes…

Calei. Escondi.

Era como um susto, seguido de tremedeira, medo, suor e pânico…morte eminente.

Pensei em loucura.

Com medo de novos episódios, com medo de sentir medo, procurava sempre uma companhia…caso eu tivesse morte súbita…

Calei durante 4 anos. Escondia o segredo dessa “fraqueza”, que sofrimento silencioso!

Desculpas, fugas, artimanhas…e a submissão aumentando.

Até que durante um programa de tv com o psiquiatra Dr. Eduardo Mascarenhas ouvi pela primeira vez explicar sobre “síndrome do pânico”. O tabu começava a morrer, ganhava um nome. Era mais comum do que se falava.

Descobri que havia cura, que muitas pessoas passavam silenciosamente (ou procurando ajuda medica) pelo mesmo.

Ignorância é uma zona sombria. Descobrir a origem desses medos ajudou a recuperar a valentia.

Era 1984, depois de 4 anos de segredos, começava minha cura; começava minha reconstrução, recuperando minha autoconfiança e LIBERDADE.

Como o segredo pesou !!!! quanta coisa tive que adiar!!!!!  sozinha exprimida  numa bolha de medo não encontrava saída, muito menos coragem.

Em 1985 começava uma nova vida, passo a passo, em busca de mim mesma.

Como um bordado, ponto a ponto, fui encontrando apoios e construindo outras histórias.

Pra que esconder? Por que esconder?

Por que não confiar, por que desconfiar?

Tudo inútil!!!!!

Somos todos bem parecidos: com medos idênticos, raivas semelhantes – males e dores e fraquezas e duvidas e sonhos e alegrias iguais.

Teria sido tão mais fácil e leve… pelo menos um médico para me ouvir…um grupo para compartilhar….

2018 , posso afirmar:

Nem sempre o segredo é a melhor opção.